3 de janeiro de 2021

Ideia de bruxo

Douglas Germano / Roberto Didio

Mandinga de bruxo vai te derrubar
Mandinga de bruxo faz tremer
Mandinga de bruxo vai desembestar
Ideia de bruxo pra ferver
Derreter, fulminar

Mandinga de bruxo vai te golear
Mandinga de bruxo tem poder
Mandinga de bruxo sem tergiversar
Ideia de bruxo pra varrer
Combater, debulhar

Mandiga é desnortear
quebrar, sacudir
Ouvir, aprender, não julgar, mas dizer na cara!
Zefini, muito bem, esqueci, dei adeus
Nem te vi, só não vem se crescer, que o pilão vai moer, lacerar, espremer, bagunçar
'Nazideia' 
É madeira
É colmeia, ai de quem catucar

12 de setembro de 2020

A Batucada da Pompéia vem aí!

Douglas Germano 13.11.2010


O nosso samba, malandro, tem dedê!

A nossa caixa, tocando, é nosso RG

Terceira que balança o povo,

Repique que traz sempre um breque novo...

Nosso Chocalho nos dá brilho de ouro,

Primeira e Segunda pulsando o couro

Os Tamborins, como clarins, vêm anunciar

a primeira que abriu o mar para nossa Porta-bandeira passar...

Cuíca, Frigideira, Xequerê e Agogô

nem mais, nem menos, é assim que eu vou

E agora se segura que o samba vai subir

A Batucada da Pompéia vem aí!!!


Dedicada à Bateria da Escola de Samba Águia de Ouro e a todos os amigos que tenho lá.


#batucadadapompeia

2 de setembro de 2020

19 de março

(Douglas Germano) - Dedicada aos Profetas da Chuva.


Formigueiro sumiu lá da vazante

Carijó cocorou e abriu a asa

Mariposa pousou dentro de casa

Cururu canta todo petulante

e o Aracati deu seu rasante

o Pau d´arco florou todinho em cacho

já tem pedra que está suada embaixo

e Tetéu chega em bando e faz zuada

tem Profeta que deu hora marcada

pra beleza do mundo despertar


José venha cá, venha ver

essa terra colorar

e a vista da gente umedecer

José venha cá, venha ver

essa terra colorar

e à vista da gente umedecer


No alvor acorreu Santa Luzia

e a pedra de sal tava minada

cupinzeiro danou na revoada

teve céu vermelhão no fim do dia

Acauã já faz tempo que assovia

João de Barro fez casa no poente

viram sol prateado no nascente

Pé de pau tudo tá soltando casca

Quem não crê em José logo se lasca

de ver tanta beleza despertar 

20 de agosto de 2020

Canaviá

No canaviá, no canaviá...

Vai a vida
na lida n
canaviá


Desse canaviá sai a riqueza
que dá posse e dá pose pro bacana
forra seu latifúndio com essa grama
se empanturra no pasto a safadeza
perdigota, arrota, ri à mesa
sem lembrar que quem gera essa fartura
só engole é pó de terra dura
e de “cambra” apequena atrofiado
Mas na mão tem podão bem afiado
que ninguém como ele sabe usar


No canaviá… no canaviá...


A foligem da queima vai pro peito

avermelha o olho do peão

que trabalha virado num carvão

e nem 10 litros de água da jeito

deita a cana e se dá por satisfeito

pois, na palha, a batida é mais cruel

ou vem bote de cobra cascavel

ou se lasca, destronca o espinhaço

mas a lima desliza, afia o aço

que ninguém como ele sabe usar


Corpus Christi

Kiko Dinucci | Douglas Germano


Solemar, Boqueirão

Vila Mirim, e Central

Mongaguá, Suarão

Gonzaga, Maracanã

Vera Cruz , Magalhães

Santa Eugênia, Tupi

Peruíbe, Agenor

José Menino, Assunção


Já da serra a gente avista o mar

pena que a neblina atrapalhou

O ouvido entope e estala

quando o rádio diz: engarrafou


Praia Grande, Ocian

Tronco, Itaóca, Araty

Guilhermina, Real,

Saudade, Aviação

Flórida, Vilamar

Caiçara, Imperador, 

Conchas e Costa azul

Marrocos e Cibratel


Padre Manoel da Nóbrega

dita a linha reta no lugar

Carros, motos, Bredas, vans, sei lá

Tanta gente aflita pra chegar


Descarrega tudo e sai pra ver a praia

Um sorvete no Kaskão... andar na praia

Esticamos de Yemanjá até o Netuno

Madrugada a gente lá jogando uno


De manhã calor Saara

Guarda-sol, cadeiras, vamos lá

Maresia, sol na cara

Só lá no canal tinha lugar


Isopor, laranjas, bola, pá

Bóia, canga, prancha, frescobol

Trap na caixinha pra animar

Protetor 50 aerossol


Fim do dia e a gente tá que é só cansaço

Ombro ardendo, vermelhão, areia em tudo

Pro jantar o macarrão que eu sempre faço

Banho, calamina, flit, pra borrachudo 


Pena que o feriado

passa logo e demora a chegar

mas pro fim do ano eu pago

três pernoites lá no Guarujá. 

16 de maio de 2020

Ruge leão, troveja Xangô



(Fábio Peron e Douglas Germano - 16.05 do ano regido por Xangô

Brasa que sangra do chão,
um rio-pavio, vulcão.
O Rei, que a lei-razão
cravou em rocha à mão.
Ruge, Leão de Jerônimo!
Troveja, Xangô!

Verte teu axé
em nosso caminhar.
Nos cegue a sanha de injustiçar.
Certe com o Oxé
a fé que se abalar
Kawò Kabiésile Obá

A quarta-feira, é dia santo!
Vermelho e branco pra louvar Xangô!

12 de maio de 2020

Democrata's


(Cadu/Greg/Douglas Germano)

Alguém gritou: — Paia!
E todo o bar concordou
Ele rosnou: — Laia!
Bebeu, cuspiu, praguejou
Como não foge da raia,
saiu no meio da vaia,
xingando: — Raça lacaia!
E todo o bar concordou
Só sei que o nome do Maia se espalhou
ligado à maracutaia

Convocaram assembleia geral
Bar lugar de democrata, ih!
Deram nota de repúdio total
Virou persona non grata
E o que foi que fez o Maia?
Ninguém nunca revelou

18 de abril de 2020

Xaxará


Douglas Germano / Luiz Antonio Simas - 17.04.20


O Xaxará chacoalha quando chama
A peste, a morte, a vida rara?
E no chacoalhar ampara o drama
De quem mora entre o morro e a lama


O Xaxará acorda o tempo
Espalha o pranto lento
Como o canto tenso
Do silêncio.


Os vis, os sórdidos, canalhas,
Jamais entenderão que a palha
Do mistério cobre o mundo
E assombra a peste da loucura


O Xaxará chacoalha: atotô!
E cura.

16 de março de 2020

O Tempo fechou

(Miltinho Conceição / Douglas Germano - 15.03.2020)

Vai chover, vai chover!
Trovejou, relampeou...
Vovó mandou recolher a roupa
que o tempo fechou

Tira o vestido de guerra
que estava com a terra que Ruth cabouca
Traz a camisa de Bento
que do assentamento chegou onze e "pouca"
Vovó mandou recolher a roupa

Recolhe a bermuda de Vado
que o arame farpado na fuga rasgou
Pega a jaqueta de Sacha
que a bala é borracha mas quase furou
Vovó mandou recolher a roupa que o tempo fechou

Vai chover, vai chover!
Trovejou, relampeou...
Vovó mandou recolher a roupa
que o tempo fechou

Vê se secou o colete
o mané fez piquete que a grana tá pouca
E o guarda pó de Ana Paula
que dá tanta aula que tá voz rouca
Vovó mandou recolher a roupa

Tira a vermelha e só dobra
Zé dorme na obra que o mestre mandou
E o macacão de João Torto
é parede no porto o registro secou
Vovó mandou recolher a roupa que o tempo fechou

18 de setembro de 2019

Memorial

Houve um tempo
de silêncio e terror,
de aflição, falta de ar...
A rudez passava vez ao pavor
com o rancor a lhe escorar
Fogaréu mandava cinzas pro céu
céu mandava chumbo em gente no chão,
um messias comandava o ódio com a mão
A Jus cega e muda se retirou,
a Prensa venal nos desinformou,
mas foi nesse tempo de morte
que a gana deu norte e a gente fechou
e tomou, fez correr, sacudiu, se vingou…

Só conto que a gente era tanto
que dava quinhentos pra um
foi braço, um monte de santo
de tudo que é canto do Orun
Em tempo de paz e bonança
a morte não volta a viver
se a gente, pra além da esperança,
jurar que não vai esquecer… (que...)

Ideia de bruxo

Douglas Germano / Roberto Didio Mandinga de bruxo vai te derrubar Mandinga de bruxo faz tremer Mandinga de bruxo vai desembestar Ideia d...