23 de agosto de 2016

Chegou o Golpe!!!

    
Golpe de Vista é se defender com as armas que se tem à mão.
É fração de segundo.
Depende de posicionamento e visão do lance.
Eu, meu violão, meu cavaquinho e minha caixa de fósforos.
Como em um filme, em um livro, em uma peça de teatro, as
canções começam e terminam. Sem estribilhos e repetições.
Ver, ler, ouvir novamente fica sob responsabilidade do ouvinte.
Conto com as participações especiais de Pedro Moreira no
trombone em Maria de Vila Matilde e João Poleto, mano velho,
que desenhou sozinho suas intervenções de sax e flauta.
Um coro de cantoras líricas reforçam as tensões.
É um disco de autor. Neste Golpe de Vista as canções são
apresentadas como as compus e toco.
À maneira mais crua. Boa audição.
 


compre em:
guiacruzada@gmail.com 

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16 de agosto de 2016

Priapismo

Ah esse presente perpétuo

A foto com a filha
confunde a família
parecem demais
A roupa de uma
no corpo da outra
cabelos iguais
Respondem ao "psiu"
no mesmo momento
tomando um detox
no meio da praça de alimentação

Ah, esse presente perpétuo

Na foto com o filho
tem o mesmo brilho
parecem demais
e a sobrancelha
tanto os assemelha
cabelos pra trás
Fazem "psiu"
no mesmo momento
olhando duas gatas
no meio da praça de alimentação

... Esse presente perpétuo...

A fotografia é a mesma
de mais de 10 anos atrás
O pai com a filha
a mãe com o filho
no fim tanto faz
Não há trajetória,
pra quê a memória?
Se temos a glória
do meio da praça
pra exposição

... desse presente perpétuo

29 de fevereiro de 2016

Vil malandrão

Eu tombei na mata
queimei na praça
sumi no mar
Eu fui degolado
bombardeado
voei pro ar

Mas a minha batalha, não!
Tá mais viva que tu, viu, Malandrão?
Mas a minha história, não!
Ela vai te esquecer, vil malandrão.

Palmares, Tamoyos, Angico
Canudos, Malês, Caldeirão
Foi você quem perdeu
Sempre que eu sangrei
Cabanos, Pontal, Candelária
Tupinambá, Xapuri
Quando você venceu
eu pari mais um rei

Seu desterro, meu quinhão
Seu enterro é no meu chão
Sua Íra, seu canhão
Te apagaram pra nação.

Viu, malandrão?!

Para música de Kiko Dinucci

26 de janeiro de 2016

Dé, Tião, Maneco e Claudemir: Eles são grandes, mas a gente é ruim!

Stefania Gola, moveu-se mais do que pode, mais do que deu e fez muito bonito o 2º Festival de Marcha-Rancho do Ó do Borogodó!
Foi Uma beleza!
Paulinha Sanches e Paulinho Timor levaram o caneco com a composição "Aqui, não!"
Fernando Szègeri, levou a prata com "Ranchos dos Ranchos"
Em terceiro lugar, Leandro Medina com "Marcha do Manifesto Carnavalista SP"
Graças à iniciativa de Stefania, a Marcha-Rancho ganha fôlego e novas composições nessa São Paulo com intenções assépticas para seu carnaval de camarotes vips com espaço "beautybeerdj".


Abaixo minha contribuição com muito gosto numa parceria com o mano velho João Poleto e que foi interpretada pela brilhante Juliana Amaral:




Dé, Tião, Maneco e Claudemir: Eles são grandes, mas a gente é ruim!
João Poleto e Douglas Germano


Chega um Clóvis com rocar lá no Bras
Desce fazendo zoeira
Passa um padre de cocar no Tietê
benzendo quem vê, tomando a abrideira
Um pirata chega lá de Calmon
Carregado de instrumentos
Ao celular xinga o Pierrô do Embú
que desatento trouxe só um tan tan.... tan...tan

Dé, Tião, Maneco e Claudemir
Vociferam o Alá lá Oh no vazio Trianon
e o som
reverbera e vem maior dando a impressão
de que já formam bom pelotão

Cada vão outra voz de folião
Fiesp, Masp aumentam o bordão
São mais de 100 na Caixa Federal e então
no Conjunto Nacional
um encontro triunfal
vozes da Augusta vêm juntar-se ao Carnaval

Volta um Clóvis com Tan tan lá pro Bras
maldizendo a quarta-feira
Passa um Padre já bebum no Tietê
xingando quem vê, tomando a saideira
Um Pirata zarpa lá pra Calmon
Dorme sobre a Safira
Enquanto o Pierrô do Embu, já de peito nu
vai pra casa a pé.

*Lina, Levi, Libeskind...
Ecos da arquitetura
nossos herois agradecem
com a frase bordada em seu pavilhão:
Eles são grandes, mas a gente é ruim!





*Lina: Masp, Rino Levi: Fiesp, David Libeskind: Cj. Nacional.

25 de dezembro de 2015

"O samba, cá pra nós, já não tem vez..."





Uma coisa fundamental para que o Samba seja um dos suportes artísticos principais de expressão da alma brasileira, hoje, é dizer que ele deixou de ser.

Isso, de cara, irá balançar o andor que carrega os prejudiciais estereótipos cristalizados do gênero e do sambista, da cabrocha, do samba-suor-e-ouriço, do compositor bebum em beira de butiquim, do figurino anos 40, do passista folclórico que mostra ao turista o que este espera ver.


Julião Pinheiro já abre seu disco “Pulsação” assim. Dizendo que seu suporte artístico “já não tem vez, já não tem voz”. Mas, a despeito disto, pulsa.
Feito um prefácio “O Samba e o morro”, coloca as coisas no lugar para Julião desfiar seu rosário e, num movimento de estilingue, ir para trás e lançar a pedra preciosa que é seu samba pra depois de nós. E nesse movimento, retrata as pedras pequenas que constroem o muro da nossa identidade. O Amor mais singelo de “Quem é aquela?”, a relação carioca com o Mar mítico que tudo acolhe, tudo leva, tudo lava em “Samba do Navegador”.  O lirismo de “Samba da estrela Cadente”.


Julião vai desenhando para explicar as coisas que o Gênero é capaz de dar. Demanda de sensibilidade, leveza, observação e, óbvio, um carinho danado pelo que é dito e pela forma como é dito.


A letras são todas de Paulo César Pinheiro, mas e daí?  Quem é do ofício sabe que melodia é inflexão de palavra. Seja de quem tenha sido a partida para a composição, foi tabela de craques. Do Pai o que dá pra dizer? Fosse o solo do Brasil palavra, Paulo César teria feito montanhas, Vales, Vilas até com gente dentro.


Julião é das 7 cordas. Tem um fraseado bonito e isso embeleza suas melodias que têm resoluções surpreendentes e nada óbvias.


Em “Vento que passou” um jeito particular que o Gênero sempre teve para falar das coisas do afeto. Uma brisa, um vento, uma lua, uma chuva como metáfora das dores, perdas e felicidades do coração.


“Cortejo da ilusão” carrega a melancolia de todo folião. Carrega a saudade que parece ancestral mas só é do dia anterior tamanha intensidade e liberdade. Só o Samba mesmo pra falar melhor de seu momento de revanche: O Carnaval.  Isso se estende para as faixas “Verde e Rosa” e “Mangueira Árvore Santa”.  Aqui, seguindo à risca a frase de Tolstoi “canta tua aldeia e serás universal”, Julião canta seu marco-zero: O coração.


Na composição “Bamba com bamba”, um sambaço em tom menor, cheio de balanço. Um desavisado talvez dissesse “cheio de swing”, mas aí está o ato falho: no caso do Samba é balanço mesmo. É pernada no pé de apoio, pois o gênero, na estrutura já subverte o tempo e muda a acentuação. Gringo fica louco, não entende, faz quadrado. Só resta olhar. E esta é a frase inicial: “Olha o Samba”.  E na faixa seguinte “Samba é bom”, as setenças: “...Samba é mais do que um som diferente...”,  “...E se a cadência vem de dentro o samba é bom...”.


Em “Pulsação”, Julião e seu Pai desenham para quem ainda não entendeu e, certamente não entenderá nunca, o feitio, a forma, dando créditos aos alquimistas desta construção.


“Tem sempre alguém” um samba que, quando ouço, vejo uma roda gigantesca daquelas com 3 pandeiros, um monte de tamborins, surdos, meia dezenas de cavaquinhos e meia dúzia de violões, um monte de gente cantando junto. Uma beleza! Amélia Rabello canta. Onde tem a voz dela, tem beleza.


Segue Julião nos entregando seu samba, seu lirismo, sua leveza despretenciosa em “Esplendor”, um remédio urgente em tempos de intolerância, ódio à flor da pele. Pois as desumanidades todas podem ter consequências na “Revolta dos Orixás”.

O disco termina com uma despedida: “Vou-me embora” que Julião divide com o “acontecimento” Gabriel Cavalcante.


Tanto que o samba se descola da voz do país que há quem não reconheça a voz do gênero na voz de Julião. O samba tem seu sotaque, seu modo de dizer. E o horizonte é imenso. Rico Medeiros, Jamelão, Miltinho, Emílio Santiago, Leni, Elza, Elisete, Alaíde, Roberto Ribeiro, Mário Reis, Jorge Veiga, Sílvio Caldas. Todos ampliaram a forma, o lastro, o estofo da voz do Samba. Isso sem falar do conforto que é ouvir uma composição na voz do autor.


Julião Pinheiro, violonista, compositor, nos entrega, em seu “Pulsação”, um folego novo cheio de caprichos, de brasileiríces cariocas. Quem é do samba, de fato, só pode agradecer.


O disco só tem craques. Maurício Carrilho, Luciana Rabello (Se a Rainha do Xadrez tivesse rosto, para mim, seria o dela), Ana Rabello, Regional Carioca, MPB4, Cristóvão Bastos, Samba do Ouvidor, Glória Bomfim e a batucada por conta de Celsinho e Jorginho Silva, Bidu Campeche, Paulino Dias, Wilson das Neves, Marcus Thadeu, Magno Júlio. Sopros de Everson Moraes, Dudu Oliveira, Rui Alvim, Aquiles Moraes.
Sotaque reconhecível e importantíssimo Acarí Records.


Saiba mais aqui: http://www.acari.com.br/pulsac-o-juli-o-pinheiro.html


Ouça aqui O Samba e o Morro: https://www.youtube.com/watch?v=WIAe4TU3m0E

25 de novembro de 2015

Tempo Velho

Eu nem sei de nada, não
minha voz é vento
e eu sussurro tempo
pra você olhar
quanto de doer,
tanto de calar
"procê" se aprumar

Eu quase vi nada, não
eu senti por dentro
mas o pensamento
não dá pra trancar
tanto de perder,
quanto de sangrar
"procê" caminhar

"Pânha" essas "folha",
se banha, se benze
pede "pras alma",
agradece três Ave-Maria

Faz teu caminho de bem
e se "alembra" que
o mundo mais lindo
só tem em pedra pequenina


D.G. nov, 2015
Para Fabi
Para Szègeri



14 de julho de 2015

Zeirô, Zeirô!!!

O camarada Ivan, amigo de décadas, chamou:

Visão Periférica é uma série de imagens que captei pelas periferias de São Paulo. A Ideia é compor para a fotografia. Escolhi esta pra você.
O show acontecerá num Sesc pras bandas de julho. Será uma noite contigo, Rodrigo Campos e Juliana Amaral.
Eu topei compor mas não o show. Não dá.
Será dia 22. Sesc Pinheiros.

Segue a imagem de Ivan Silva e a encomenda:


Zeiro... Zeiro!!!!!  | Douglas Germano


Vila do Calvário, campo do Cruzeiro
Foi tanta gente lá pra ver Jesus
Nosso capitão, nossa contenção
Só joga na bola, nunca viu cartão

Maria, sua mãe, a lavadeira
ria de orgulho de seu rebento:
— Jesus nunca sujou o fardamento
Que ela bordou à mão há mais de mês:
Jesus, camisa 33

A vila tava toda lá
Cachorro, moleque, malandro e batucada
Nego apertava um atrás do bar
Verô trouxe bandeira pra enfeitar
Leninha puxa o canto pra empurrar:
Começa o jogo em pleno lê lê ô... Zeirô, Zeirô!!!

Ele grita, marca, puxa, rouba, faz a linha burra,
Antecipa, rasga, lança, fala com o juiz
Jesus dá sermão no meio campo:
Chega, Pedro! Toca fácil, André!!! Corre, João!!!
Tá 2 a 1 pra nós,
pros cara, só falta 1

42
Pedro domina marcado
Sem opção, toca pra atrás pra Jesus
que erra ao fazer um corta-luz
Tomé, o goleirão, no "sai-não-sai", não foi
O centro-avante antecipou...
gol


E como culparam Jesus
E como xingaram Jesus
E como bateram em Jesus

Vila do Calvário, Campo do Cruzeiro,
Foi tanta gente lá matar Jesus

12 de novembro de 2014

"Gerais" um disco histórico e meu sangue pisado.





O Novo disco de Renato Martins e Roberto Didio será referência pétrea para quem quiser entender o futebol no universo da cultura brasileira daqui pra diante.



É Corinthians. Já não é pouco, mas não é só isso. É futebol, mas também não é só isso. É a cabeça brasileira do torcedor de futebol de gerações passadas até a mais recente.

Sim, e isso é muito.  É em primeira pessoa, não no tempo, mas na confissão, pois estes dois autores demonstram, com a displicência dos que sabem muito, que têm propriedade,  por experiência vivida para tratar da coisa.

É cinema. É cinema requintado pois permite a você montar tua cena com seus próprios retalhos de memória, posto que não direciona, mas dá pistas insinuantes, sensíveis e precisas.

O verso “João subindo a rampa devagar”, por exemplo,  no samba Noite de 77, pode não significar nada para muitos, mas para muitos outros, indicará cinematograficamente, num corte ligeiro e mágico, um dilúvio de informações identificáveis ao torcedor de futebol que já pisou no Morumbi algum dia e, desta maneira, já te desmonta emocionalmente no primeiro verso que aliás, é concluído com “terço e radinho de pilha na mão”.
Vocês conseguem entender melhor agora? Isso não é só futebol, certo? Isso não é só Corinthians, certo? Mas todos sabemos ou a maioria sabe do que se trata.

O disco inteiro é assim. Você terá suas emoções remexidas. Você terá um reencontro emocional arrasador.

Fiquei sem apoio. A gente procura se apoiar quando toma essas pancadas e, nesse esforço, me lembrei do filme “O Fabuloso destino de Amélie Poulain. A personagem encontra, acidentalmente, em um vão de uma das paredes de sua casa, uma caixa de metal envelhecida pelo tempo. Abre a caixa e encontra figurinhas, soldadinhos de chumbo, carrinhos. Entre as delicadezas todas que a personagem comete no filme, ela se esforça para encontrar o dono da caixa e devolvê-la. O dono agora é homem feito nos 50 anos, aparenta certa sisudez, certa amargura. Ela consegue fazer a caixa chegar ao dono. A reação do homem reencontrando sua caixa de brinquedos foi a minha na primeira audição de Gerais.

O Disco contém caminhos melódicos e harmônicos poderosos traçados por Renato Martins. São inflexões soberbas para o discurso. Não sei quem fez primeiro o quê, falo sobre letra/melodia, mas para mim, fica claro que ambos falavam da mesma coisa. Observe os momentos de plenitude deste encontro em trechos como “O Maracanã morreu por dentro, meu senhor” em Gerais, em “uma rosa preta e branca a poesia trouxe aqui pra você,  Tia Rainha Geni...” em Rosa preta e branca, em “...eu era rei nos ombros seus pensando que podia até tocar o sol...” de Saudade do meu Avô, um primor. Ou nos saborosos “...amendoim, pernil...” e “...lateral subindo mais que a Brahma...” de Hino do Futebol moderno. Sem falar da linda marcha Mar Negro. Tudo sem salto, sem susto, orgânico, intrínseca. Você é levado pela música sem se dar conta graças a ela mesma. Uma generosidade.

As letras contêm pérolas aos montes. Tanto tempo é necessário para surgirem as pérolas. Roberto Didio é um craque em não dizer o que ele quer que você entenda. E você entende. Repare, aqui há um mundo de coisas que não está escrito: “Tua fotografia o tempo pintou de amarelo”, “... teu hino é muito maior (...) faz a favela rasgar o pano da humilhação, Marighella também foi coringão...”, “Corisco vendeu mel engarrafado, balançou em trem lotado (...) não deu campo nem salão...”, "...eu sei porque sofri, tem mais raça o sofredor...". São muitas. Domina o tempo ou sabe congelá-lo para que o ouvinte o veja. Faz uma tarde cair só olhando pro céu, uma capacidade de síntese assustadora e muita generosidade pois dá tempo ao ouvinte, dá respiro, sugere, insinua construtivista.

A direção musical é assinada por Glauber Seixas, Marcus Thadeu e Magno Júlio. Tudo bem tocado, bem cantado e os arranjos só contribuem à narrativa. Batucada nas mãos de Marcus Thadeu e Magno Júlio. Fácil, redondo. Meio campo com Zenon. Tamborins dobrados, um copo, um pandeiro nada ortodoxo (graças a Deus!), um surdo senhor de si e que se vire a turma dos arames. E se viram bem. Há contribuições de peso nessa arquibancada. Cristovão Bastos, Luciana Rabello, Ana Rabello, Lelo, Renato Braz, Gabriel Cavalcante, Júlio Pinheiro no 7, o botonista Maurício Carrilho, Anabela e, uma cantora que adoro, Amélia Rabello. Gente que só fica maior dando voz aos que têm o que dizer. E há as interpretações do próprio Renato Martins que são excelentes.

Gabriel Cavalcante é um acontecimento! E ele é quem canta o "Samba pro Magro". Outro acontecimento!

Desenho gráfico de Sergio Rossi. Preto e branco recuperando a fonte do número da camisa da democracia corinthiana. Certeiro, enxuto, preciso.

Para mim transpareceu o prazer que os envolvidos tiveram nessa produção. Tudo amarrado. “É olhar escolher e marcar”.

Eu tenho um orgulho danado de presenciar isto e sei, muito mais tranquilo, que se a corda arrebentar de repente esses dois estarão na frente. Estarão na frente.

Há algumas faixas disponíveis aqui. Ouça e confira.

Você encontra o cd nestes lugares. E se quiser escreva para eles: geraisgeraisgerais@gmail.com


Rio
Arlequim
Praça XV, 48 - Loja 1
21 2220-8471
www.arlequim.com.br

São Paulo
POP's Discos
Rua Teodoro Sampaio, 763 - Loja 4
11 3083-2564
www.popsdiscos.com.br

O Patriota (Bar do Alemão)
Rua Jarinu, 591 (somente horário de almoço)

11 2098-0961



Sobre o sangue pisado é o seguinte:
O futebol, o carnaval, especialmente os vividos dentro da Nenê, formaram quem sou.
E formaram graças a este universo tão bem pintado por Martins e Didio. Hoje eu preciso fazer um esforço danado para enxergar o que me foi ensinado. Seu Nenê partiu, meu craque Zé Sergio, foi quebrado, enredo é vendido pra quem der mais, futebol de resultado instituindo-se como única forma. São pancadas e mais pancadas que não me quebram nem me cortam, mas me deixam bolhas de sangue pisado porque me machucaram nas paixões. Pra dar a volta, pois não vergo, não, fiz desse sangue pisado a cor da minha camisa: Grená. Lá na Javari toco repinique na arquibancada, encontro Didios, Renatos, fiéis, palestrinos, peixeiros, o Seu Coutinho e meu filhote se agarra no alambrado pra xingar o bandeira.

17 de setembro de 2014

Bilhete

Queridas e queridos cantores(as), intérpretes.

Peço desculpas antecipadas aos que têm tato, respeito, cuidado e que são camaradas. Esse recado não é para vocês.




















Quero lhes dizer o seguinte:
Minhas músicas são minhas flores. Minhas flores compõem meu jardim.
Tenho muito zêlo com meu jardim.
Por favor, não pule minha cerca e arranque minhas flores.
Não pense que as colocando em seu vaso e as mostrando por aí, dizendo ou não que são minhas, me deixará mais ou menos feliz.

Não lhe pedi nada. Não vou lhe pedir nada. Minha felicidade, há muito, muito tempo, está no meu jardim, não nas suas mãos, no seu vaso, na sua casa, no seu show, no seu disco.
Minha finalidade é plantá-las. É ter meu jardim florido. Não as arranque sem me avisar.

Bata palmas na porta da minha casa. Diga: Oi! Como vai?! Diga que gosta desta ou daquela e eu as lhe darei com muito gosto. Posso até plantar e cultivar uma só pra você, mas não as arranque.

Se você pegou uma contando com o fato de nos conhecermos proximamente, aviso: Isso prova que não nos conhecemos proximamente.

Bata palmas, dê bom dia, lembre-se que você não tem nada a oferecer que me interesse além de sua amizade e respeito.

É isso.

Essa coisa cafona de flor e jardim é só para ilustrar, pois para alguns, você tem que desenhar sobre coisas básicas. 






MARIA DE VILA MATILDE

...se a da Penha é brava imagine a da Vila Matilde.D. Germano 16/09/2014 — Para a querida Paulinha Sanches

Cadê meu celular?Eu vou ligar prum oito zeroVou entregar teu nomeE explicar meu endereçoAqui você não entra maisEu digo que não te conheçoE jogo água fervendose você se aventurar
Eu corro solto o cachorroE, apontando pra vocêEu grito: — Péguix x x xEu quero verVocê pular, você correrNa frente dos vizimCê vai se arrepender de levantarA mão pra mim
E quando o Samango chegarEu mostro o roxo no meu braçoEntrego teu baralhoTeu bloco de puleTeu dado chumbadoPonho água no bulePasso e ofereço um cafezimCê vai se arrepender de levantar a mão pra mim
E quando tua mãe ligareu capricho no esculachodigo que é mimadoque é cheio de dengo,mal acostumado,tem nada no quengo,deita, vira e dorme rapidimVocê vai se arrepender de lavantar a mão pra mim.