Pela primeira vez e com o estímulo fundamental do grande parceiro e amigo Everaldo Efe Silva, criei coragem para colocar um Samba na Vila Matilde. Em parceria com o ÉfeSilva e o Júnior Pita. Para nós três, romanticos que se comovem com a porta-bandeira, com o ambiente da quadra, com a batucada e, acima de tudo que têm noção da responsabilidade e do significado desta escola de samba, é uma glória sem limite estar por alí. É como a comemoração do gol da virada aos 47 dos segundo tempo, e para mim, particularmente, me lembrando de tudo o que vi naquela quadra da Júlio Rinaldi, nº1, uma oportunidade de agradecer e devolver mínimamente, mas muito mínimamente, todas as transformações que esta escola provocou em minha cabeça e que sem as quais, eu não teria sequer comprado meu primeiro cavaquinho.Salve a Nenê de Vila Matilde, Seu Nenê e seus bambas.
O Samba está aqui abaixo. Se chama Correnteza, trata da água e propositalmente, sem refrão no meio. É água e corre só parando diante dos orixás das águas, Oxalá, Yemanja e Oxum.
G.R.C.E.S. NENÊ DE VILA MATILDE - Carnaval 2010
“Água Nossa de Cada Dia! A Pureza da Águia é a Essência de Nossas Vidas”
Correnteza
(Autores: Douglas Germano / Everaldo Efe Silva / Junior Pita)
A minha Vila é correnteza
Beleza que não cessa
E vem desaguar seu carnaval
Em samba, em força, é água!
da Terra, o sangue, a essência
Nascente, seiva, sumo da existência
do chão pro ar, no frio polar
Olha o temporal
Céu fechou, vem temporal
Chuva forte, tão vital
Alimento natural
Renovando essa grandeza
Toda fauna, toda flora em esplendor
É saúde, corpo são pro meu amor
Esse banho que refaz a esperança
E a Vila avança
Mas o homem sempre cede
a sua sede de ambição
Consome e descarta
Polui e maltrata
Destrói o futuro
Cadê a razão?
O desperdício desse bem
A vida matará
Calor, degelo e quem
Do mar se salvará?
Mas a Nenê, imortal guardiã
Desfila pro mundo ter um amanhã
Trago as águas de Oxalá
Pra lavar o mal,
Odoyá, o doce Iemanjá
Oxum, oraie-iê o
Verteu a lágrima de quem chorou de saudade da Nenê