18 de setembro de 2019

Memorial

Houve um tempo
de silêncio e terror,
de aflição, falta de ar...
A rudez passava vez ao pavor
com o rancor a lhe escorar
Fogaréu mandava cinzas pro céu
céu mandava chumbo em gente no chão,
um messias comandava o ódio com a mão
A Jus cega e muda se retirou,
a Prensa venal nos desinformou,
mas foi nesse tempo de morte
que a gana deu norte e a gente fechou
e tomou, fez correr, sacudiu, se vingou…

Só conto que a gente era tanto
que dava quinhentos pra um
foi braço, um monte de santos
de todos os cantos do Orun
Em tempo de paz e bonança
a morte não volta a viver
se a gente, pra além da esperança,
jurar que não vai esquecer… (que...)

13 de maio de 2019

Deu Chabu


Douglas Germano e Roberto Didio – 10 mai 19

Malungo demente sorriu
Jornal malocou o bandalho
Igreja maior do que o céu 
Pastor devorando o rebanho
A média da classe caiu
Geral já sacou que é tacanho 
A classe da média perdeu
A mão, a vergonha, o trabalho
Deu chabu, Meu Xamã
E aí, bam-bam-bam? 
O bicho pegou todo mundo
No baú desse clã
Cascavel, Ku Klux Klan
E a Barbie quebrada no fundo 

Um homem sem classe surgiu 
Montado no seu tsunami
E quer transformar o Brasil
Na prega da brega Miami 
Cambada que não reagiu 
Vai sempre encontrar um Zidane
Agora que a casa caiu
Não vai segurar, que se dane!

Deu chabu, Meu Xamã
E aí, bam-bam-bam? 
O bicho pegou todo mundo
No baú desse clã
Cascavel, Ku Klux Klan
E a Barbie quebrada no fundo 


8 de janeiro de 2019

Torrente

Swami Jr / Douglas Germano


Já que a razão se perdeu,
já que a palavra falhou,
jactanciar loucura é bom.

Restam na frente do caos,
restos de obstinação,
réstias da luz que não se apagou

Lembra…
que a gente nunca descansou
Lembra…
de quem se machucou demais

Resistir é bom,
mas passo à frente
sempre faz tremer o algoz
Insistir,
fazer da voz torrente,
tomar o que pertence a nós.

30 de dezembro de 2018

Bateria de Escola de Samba não deveria ser julgada

Minha sugestão é que Bateria deixe de ser quesito.

Deveria ser tratada definitivamente como fundamento. Como a Ala de Baianas, Velha Guarda. E sugiro também que faça parte deste fundamento a Ala de Compositores anexando o, hoje chamado, "carro de som".
Fundamento. Dentro das obrigatoriedades. Sem Ala de Baianas, Compositores, Velha Guarda, penalização grave na pontuação. No caso da Bateria uma exceção:Penalização apenas em caso de acidente capital: Atravessar.

Quando o carnaval era realizado na Av. Tiradentes a pista de desfile ocupava aproximadamente o quarto final de sua extensão. Começava na Rua dos Bandeirantes e terminava próximo à João Teodoro. Da Rua dos Bandeirantes até o cruzamento com a Avenida do Estado era tudo concentração. As escolas se enfileiravam. Muitos carros ficavam na Av. do Estado, outros na própria Santos Dumont que é continuação da Tiradentes.
As Escolas e o público, reunidos ali. Separados apenas por cordas que dividiam a calçada e o asfalto na linha do meio fio. Tudo na maior paz. Quem não podia pagar arquibancada curtia o carnaval ali vendo a armação e o esquenta das Escolas.
Nessa época desfilavam 12 na mesma noite.  No correr da noite, madrugada e manhã, no calor da cangibrina e no deslumbre, você podia facilmente perder a ordem e não saber qual escola viria depois daquela que estivesse desfilando.
A dúvida acabava quando a Bateria da próxima Escola começava seu esquenta. Era certeiro. O Povo ouvia e sabia quem era. Dizia o nome "lá vem a fulana".

A experiência, o saber acadêmico ou a capacidade de alta performance de qualquer músico não são elementos suficientes para que este possa julgar um "fundamento". É fundamento, alicerce, base, princípio. Fundamento não se submete a julgamento. Um exemplo: Um concurso com violinistas espetaculares sendo julgados na execução de um determinado concerto. A performance, a técnica, o som, a dinâmica, o andamento e a interpretação de cada um será completamente diferente executando uma mesma obra. Mas será a mesma obra. A mesma música.

No caso da Bateria é diferente. Seria julgar concertos diferentes como um só. Podem argumentar que todas as baterias tocam a mesma coisa, o Samba. Claro, mas essa "mesma coisa" diz respeito apenas ao 2 por 4 (e algumas tocam 4 por 4). Como cada bateria toca esse 2 por 4 é que são elas. Especificidades fundamentais. O Samba é absolutamente espetacular no que tange a polirritmia. E é nessa polirritmia que reside o grande tesouro que o regulamento do desfile de carnaval pode destruir.

O regulamento fala em mixagem, em equalização, em distribuição de instrumentos, em tornar todos os instrumentos audíveis independentemente da quantidade presente na Bateria. Integridade de fantasia mesmo quando é visível que o carnavalesco errou a mão com uma manga enorme, um costeiro ou chapéu pesado que atrapalham o ritmista. Aqui um comentário paralelo: Carnavalesco e diretor reclamam do talabarte sobre a fantasia, mas poucos têm o cuidado de deixar um buraco na roupa para que o ritmista possa esconder o talabarte e passar o gancho para prender o instrumento. Você fica ali todo amarrado, engruvinhado com o talabarte te ralando o peito.
O regulamento também fala em retomada, em andamento e, creiam, em criatividade(!).  No que tange a criatividade, um breve comentário: Que se reúna os primeiros repiniques  de cada uma das Escolas para que realizem uma apresentação em breve solo para o grupo dos qualificados julgadores. Receberão estes uma "overdose" de criatividade. Ora que conversa mole.

Dentro de cada bateria, em cada um dos naipes, existem ritmistas espetaculares. E estes estão sendo literalmente jogados para fora de suas agremiações devido à subserviência a estes regulamentos de araque criados e discutidos infinitamente, diga-se, pelas próprias Escolas.

Algumas violências provocadas pelo regulamento que eu observo:

•Para não correr o risco de ter uma variação na afinação de surdos,
especialmente no surdo de primeira, se este utilizar a afinação baixa, os mestres e diretores (até de harmonia) optaram por subir a afinação a ponto de ter seu som aproximado ao que seria o surdo de segunda. Naturalmente o surdo de segunda sobe mais e a terceira ou corte mais ainda a ponto de comprometer os harmônicos que o couro pode produzir gerando um som parecido  ao de um balde grande ou do braço do seu sofá.  Se a característica da escola é uma afinação baixa, foi-se embora um fundamento, um princípio, uma história com origem sólida.

•Ensaios quase ou totalmente militares
com atividades de motivação inacreditáveis que começam já em julho. Listas de presença. Obrigação de comparecer a apresentações e festas em quase todo o fim de semana e aos ensaios que, inicialmente, são dois por semana, mas que já chegam a cinco a partir da segunda quinzena de novembro. Essas coisas afastaram os batuqueiros de suas agremiações. Muitas baterias ensaiam quase inteiras tornando impossível e às vezes proibido, ao ritmista, tomar uma cervejinha e curtir o ensaio da sua escola. Isso abriu espaço a uma geração mais nova que tem, naturalmente, mais tempo e disponibilidade. Com as atividades de motivação adotam um comportamento que se aproxima muito das torcidas organizadas. Vestem a camisa e obedecem os "líderes"- diretores, mestres e chefes. Ensaiam, ensaiam, ensaiam... Muitos só compreendem a Escola de Samba como organização de desfile unicamente. Poucos compreendem que Escola de Samba desfila porque existe e não o contrário. Poucos sabem da história da agremiação, sabem menos ainda sobre o próprio Samba. Tanto que não é difícil ver esses jovens saírem em várias agremiações ou mesmo trocá-las de um carnaval para outro. O Sujeito é capaz de tocar um surdo de primeira por duas horas ininterruptas, mas não consegue marcar um partido-alto. Isso faz toda a diferença e, naturalmente, justifica a enormidade de ensaios e cada vez mais cedo.

• Surdos, em uma Bateria de Escola,
são instrumentos sagrados. Disponíveis aos iniciados, aos mais velhos, aos malandros de batucada, aos que sabem da caixa, dos repiques, do tamborim, das cuícas, aos donos daquilo tudo. Não é qualquer um que afina, não é qualquer um que toca. E destes surdos (em geral são três) um deles é (era) destinado aos ritmistas que carregam as características dos iniciados, que têm completo entendimento da identidade daquela Bateria e que ainda contam com certo vigor físico, pois é um instrumento que exige: O Surdo de terceira. O swing, o molho, o balanço, o vergalhão da viga de sustentação.  Os malandros das terceiras também se afastaram pelos mesmos motivos do tópico anterior. E a mesma molecada vestiu esse talabarte. Resultado: Surdos de terceira marcados ou como costumam dizer "desenhados".  O surdo de terceira improvisa. Ginga entre as marcações de primeira e segunda, sustentam as caixas e repiques. Tem que ser "malandro", tem que saber de samba, tem que entender o que representa sua função no meio de todos aqueles instrumentos.
Hoje, por conta da falta de experiência de alguns instrumentistas jovens para realizar este "swing", desenham as terceiras para que não aconteçam falhas (emboladas), para que o samba não atravesse. E se o desenho for constituídos de células rítmicas muito rápidas ainda dão duas baquetas para que o garoto(a) consiga executar. Esses desenhos, inclusive, são de gosto duvidoso e absolutamente sem swing.

• Repiniques eram entregues aos hábeis.
Vigor físico, criatividade rítmica, o solista que também sustenta, pois o repinique tem função de surdos. Um improvisador. Deita e rola na polirritmia, faz os breques, anuncia viradas, conversa com tamborins, com a melodia do samba. Chamá-lo de primeiro violino seria uma redução trágica. É o repinique e ponto. Um assombro em si. Como se diz "os ripa malandro" também sumiram. Resultado é a ordem expressa: 5 ou 6 são habilitados pelo mestre para executar as bossas, se houver, e nas outras partes do samba tocam reto. Ai de quem colocar a manguinha de fora para um improviso.

• Grave, médio e agudo.
Da metade dos anos 90 ao começo dos anos 2000, aconteceu uma transformação trágica, na minha opinião: As linhas de frente. Com algumas exceções que confirmam a regra, o chocalho era aquele instrumento, que caía na mão daquele ritmista que não passava nas peneiras em nenhum outro instrumento. "Caiu na peneira, sai no chique-chique e olhe lá". Hoje existe uma preocupação com a ala de chocalhos que não existia antes, o que é muito bom, mas deu um protagonismo à ala que contribui para uma certa pasteurização sonora das Baterias.. Todas elas têm seus diretores (diretor de naipe), desenhos de execução, coreografias etc.  Antes destas transformações, as baterias vinham com uma fila de chocalhos composta por chocalhos de cascalho, o extinto chocalho pião e o rocar de platinelas que dura até hoje. Duas filas de tamborim, uma fila de cuíca, alguns agogôs de duas bocas espalhados entre eles, algumas tinham um prato e só. O resto era cozinha, ou seja, repiniques, caixas, taróis ou malacaxetas e surdos. Os chocalhos, em geral, atuavam junto com os tamborins. Em alguns casos mais raros tocavam ininterruptamente compondo com as caixas. Invariavelmente paravam na segunda parte do samba. Esses eram os momentos em que se ouvia a "cozinha". O verdadeiro coração da escola, a identidade, a batida característica, o swing, o Fundamento. Os tamborins executavam, nestes momentos, desenhos limpos e simples do ponto de vista rítmico exatamente para que houvesse uma transformação dinâmica no acompanhamento e para que essa "cozinha" aparecesse.
E aí você ouvia a Escola em sua plenitude. Essa é fulana de tal!
Isso acabou. Hoje a maior parte das Baterias utiliza ao menos três fileiras de chocalho rocar (Cada fila com 12). Atrás destas, duas fileiras de xequerês. Atrás destes uma ou duas fileiras de agogôs de 4 campanas também desenhados... Tudo isso atua junto com o tamborim.
O Resultado, uma pasteurização sonora em um tchiqui tchiqui tchiqui que apaga a batida de caixa elemento importantíssimo em cada bateria. Além disso o tamborim não para mais na segunda do samba. Faz desenhos cada vez mais herméticos e carregam todos esses agudos consigo. Não se ouve mais a cozinha. Não se ouve mais a Escola. O Mestre, inclusive, acaba ficando longe da cozinha, — apartado por estas 5 ou 6 filas de leves o que torna os diretores, no miolo da Bateria,  imprescindíveis nesse contexto. Desfilei com Mestres que colocavam os chocalhos, tamborins e agogôs formando as últimas filas da Bateria exatamente para que ele estivesse próximo e conduzindo a sustentação.

• Breque que virou bossa.
O breque era um artifício, uma surpresa geralmente utilizada no final da segunda parte do samba na passagem para o refrão. E existia uma regra tácita: Em refrão não se faz breque. Em refrão é batucada pra cima com tamborim no carreteiro, terceira balançando e repique soltando a mão. Mas voltando... Breque não deixava o sambista, desfilante, folião ou como queiram chamar, perder o passo. Se você estivesse dançando com a marcação no seu pé direito, por exemplo, o breque acontecia, a bateria voltava a tocar e a marcação continuava no seu pé direito. A escola evoluía em um só passo -*Vídeo 1;
Abandonaram os breques e resolveram inventar a "Bossa".
Verdadeiros chiliques rítmicos. Dignos de peças eruditas de percussão. Exibição tola de naipes e a escola inteira perdendo o passo. Até os músicos dos violões e cavaquinhos responsáveis pela  harmonia têm dificuldade em continuar tocando e muitos, hoje, já ensaiam e cometem as bossas junto com a bateria. E aí vem o regulamento falar em avaliação na retomada. Como avaliar a retomada de uma bossa se na parada para a dita cuja, tudo já foi pro espaço?
Aqui um exemplo para o que citei acima. Ouça o espetacular samba da GRES Estação Primeira de Mangueira/19 na gravação do cd original. A partir da minutagem 02:17. Experimente dançar junto (fundamental) e perceba como o samba foge de você. Você fica se sentindo um "João" que tomou um drible do Garrincha. A tal da Bossa acontece exatamente na virada para a cabeça do samba. Um momento onde tudo deveria crescer em dinâmica, a Escola (você) perde o passo. Ainda bem que isso não foi executado na avenida. Ouça: https://youtu.be/vDVfh26C_m4?t=136

Outro absurdo completo, na minha opinião, é o fato de muitas baterias construírem suas bossas e as ensaiarem exaustivamente, pois são herméticas, antes mesmo de conhecer o samba de enredo. Depois, quando o samba é escolhido, o mestre e seus diretores encaixam a bossa no trecho que couber. Algumas até dão certo, mas a maioria vira uma colagem esquisita. Isso motivado ou provocado, por mais incrível que possa parecer, pelo "sub-quesito" criatividade. Uma tragédia completa. Um elefante solto no quartinho da Bateria.

•Repiniques reunidos no meio da bateria para realizar as bossas; 15 diretores apitando e gesticulando dentro da bateria; Tocador de surdo usando joelheira porque carrega o surdo na vertical e não de lado; Instrumentos padronizados com silk-screen ou plásticos sobre o couro tirando os harmônicos e deixando todos os instrumentos com som fechado; Fila militar (o que se estende para todas as alas) para desfilar, entrar e sair do box; Aquelas coreografias que nada contribuem para a batucada, — coloque uma primeira de 28' no ombro, roupa de veludo, chapéu pesado, caminhe tocando por 250 metros e depois abaixe e levante três vezes, gire mais três e conclua tudo com um pequeno salto —, é brincadeira e de péssimo gosto. São muitos pontos que mereciam uma esticada, mas o texto ficaria enorme. Aliás, já está.

Se bateria não fosse quesito, entendo eu, isso mudaria. A preocupação de cada mestre estaria ligada à boa exibição do seu ritmo. Fim do desperdício de esforço para atender às reduções do julgamento do quesito e liberdade total para trabalhar e cuidar da exibição. A Bateria é um motivo de enorme orgulho, auto-estima, cuidado e respeito enorme, repito, enorme para cada ritmista. Uma tolice imaginar que dar-lhes liberdade para exibirem aquilo que lhe é motivo de orgulho enorme geraria algum descaso. Para nenhum deles há nota justa que não seja o 10 e eles têm razão. Em todas as agremiações.
Espero que os velhos voltem a ensinar os mais jovens. Espero ver novamente, numa bateria de 250 ritmistas, o mestre deixar a chave 10' correr de mão em mão, pois todos sabem afinar seus instrumentos e conhecem a afinação da própria bateria. Espero ver novamente aquele surdo de primeira e segunda pendurado de lado no talabarte. Espero ouvir terceiras soltas, repiniques soltos deitando e rolando no improviso, espero ouvir a verdadeira voz das Escolas novamente. E imagino que isso só será possível se libertarmos a Bateria do julgamento, da obrigação da nota.

Como julgar bateria?

Nenê tem peso de arrastão com maré brava, Vai-vai é ligeiro, é surdo pesado, é ripa de mão sangrando, Camisa balança de lado, tamborins incríveis, terceiras incríveis, Mangueira não tem resposta e com aquelas caixas nem precisa, Mocidade Independente é o samba em 4 por 4, a marcação invertida, é a terceira comandando tudo, Vila Isabel tem duas batidas de caixa, Salgueiro é peso de trovão de Xangô invocado (saudade daquele surdo lá embaixo), Portela aquele molho do Corte (3ª) com as caixas.

É impossível julgar fundamento. É impossível dizer que essa é melhor que aquela. É a cara, o fundamento, a identidade, o jeito.
Atravessou? Pode acontecer, claro, tomara que nunca aconteça, mas se for o caso, institui-se previamente uma punição na pontuação geral. De resto, deixa a rapaziada fazer seu ritmo. Deixa a Escola balançar como ela sabe. É como jeito de andar: cada um tem o seu. Não tem melhor ou pior. Isso é a nossa riqueza. Isso é o nosso tesouro. E o trabalho que pasteuriza tudo para atender ao julgamento do quesito é extremamente nocivo.

Seria, na minha opinião, uma medida que muito contribuiria para o fortalecimento das Escolas de Samba, um alimento para suas tradições e eventuais transformações que cada uma a seu tempo resolva criar ou desenvolver naturalmente. E, finalmente, um caminho que possibilitaria a transmissão deste saber maravilhoso às gerações futuras e consequentemente sua renovação, seu vigor, sua solidez. Bateria de Escola desfila para fazer exibição, não para ser julgada.

É uma sugestão nada simples, sei bem. Mas imagino que seria uma mudança benéfica. Para o contexto do "campeonato", da soma de notas, não faria diferença. Desde de meus 12 anos de idade frequento o universo das Baterias de Escola e vi muitas transformações negativas acontecerem por conta do trabalho obstinado que visa, exclusivamente, gabaritar o quesito.

P.S.: O Ponto máximo para a motivação do componente era o momento em que a Escola cantava seus hinos, seus sambas de quadra...  Hoje, tem escola aquecendo e "motivando" com "Não quero dinheiro, só quero amar" de Tim Maia. Pode parecer fora de contexto, mas é consequência deste trabalho subserviente em relação ao regulamento dos desfiles. Afasta-se o povo do samba, aparecem consumidores que precisam ser entretidos, animados, estimulados a uma falsa alegria. Com isso, a Escola, passa a ter a necessidade de ensinar "esses consumidores" a dançar no desfile. Isso gerou as terríveis coreografias de braços e mãos similares aos utilizados com bebês em escolinhas de educação infantil.

Liberdade para a rapaziada fazer seu ritmo!

Vídeos:


* Vídeo 1 - Veja neste link, a partir de 51:45, um exemplo do que um breque bem realizado em um trecho oportuno do samba pode provocar na evolução da escola. E até no comentário da transmissão.   https://youtu.be/lr529PUgNjc?t=3090




Video 2: Deixem a rapaziada fazer seu ritmo à vontade.


7 de dezembro de 2018

Batuqueiros e Sua Gente com Francineth e Douglas Germano

Dia 14 de dezembro às 22h no Al Janiah
Participo do Show de pré-lançamento do disco da Cantora Francineth Germano.


Macumbas e Catimbós

Hoje farei uma participação no show  Macumbas e Catimbós da Cantora Alessandra Leão.
Haverá também a participação de Dani Nega.
Casa de Francisca, 22h


11 de agosto de 2018

Vento...


Minha Voz é um vento
Douglas Germano (05.17)

Minha voz pode ser afago em cantoria,
um sopro de mãe ninando a cria,
uma brisa morna da Bahia
Minha voz é rodamoinho pra quem sai da raia.
Bate porta, quebra louça e levanta a saia, vento de Yansã quem vai domar?
Rajada no tempo Chio de eruexim
chacoalha o bambu e devolve pra tu
o que jogas pra cima de mim
Mas se és de bondade,
eu tenho um canto pra te dar
e toda a maldade, o vento vai carregar
Que eu tenho um tufão nesse meu coração
que me tira do chão pra eu cantar

FIM: Vento de Yansã quem vai domar?

Exu


Àgbá
Douglas Germano  (25.01.18)


Trilha, caminho, picada, pirambeira
viela, vereda, rumo, rota, portão
Língua, recado, conversa, rabulice
palavra, promessa, parecer, palavrão

Ontem caiu uma pedra lá fora
que o lançador só vai jogar agora
é dele transformar
é dele por pra andar

Ê Agbá
Ê Adaguê
Ê Elebo
ê ê Demi
ê ê Bará
ê ê Opin
Eê Laroye


Gozo, laracha, galhofa, cascalhada
joguete, piada, farra de reinação
Falo, cacete, porrete, vuco-vuco
na brecha, no coito, trepa-trepa no vão

Ontem caiu uma pedra lá fora
que o lançador só vai jogar agora
é dele transformar
é dele por pra andar

Ê Elegbará
Ê Burucu
Aluvaiá
Ejise-ebo
Ê Tiriri
êê Lode
ê Laroye

Para Francineth...


Sacerdócio
Douglas Germano (23.05.18)

Eu tenho um tanto de mim
que hoje vim lhe entregar
cultivei de amor, reguei com lágrimas
que derramei de sorrir
que eu nem sou de chorar
trouxe aqui meu canto pra lhe dar

Melancolia
em mim não tem lugar
Nem nostalgia,
deixa o tempo andar
Eu quero ver nascer
um dia bem melhor de verdade
E quando ele chegar
sei que vai me encontrar por aí cantando
meu sacerdócio
função mais dócil
me entregar deste lugar

Guarde meu sorriso
leve a minha voz
que só serviu
pra se erguer por nós

Meus afetos só tem vez...



Madrugada
Alan Abadia | Douglas Germano 05.10.2017


Sinais ficam piscando no amarelo
Em paz um gato cruza a Consolação
No bar não há quem não levante os pés
com o balde d’água no pé do balcão
No ar perfumes de damas da noite
E amor há maquiado em cada esquina
— Fica ou vai? Pois o metrô já vai fechar,
— Abre outra e deixa estar… tem um negreiro às três

— Fico, vai! Agora eu pago, pede três!!!
Meus afetos só têm vez na madrugada

E assim, “conversa dentro” a noite inteira
Um samba, um gol que alguém tenta lembrar…
Um nome de mulher, uma estória, um carnaval,
rever o cabedal faz bem
E a lua serve pra lembrar
que o dia vai dormir
pro bom da alma despertar

Memorial

Houve um tempo de silêncio e terror, de aflição, falta de ar... A rudez passava vez ao pavor com o rancor a lhe escorar Fogaréu mandav...