15 de abril de 2018

Ensaio

Trecho de ensaio com a querida Juliana Amaral e o mano de sempre João Poleto.
A música se chama Minha voz é um vento.


26 de fevereiro de 2018

CREDO!!!



Douglas Germano  | Nov | 17


Minha fé quem faz sou eu
não preciso que ninguém me guie
Não preciso que ninguém me diga
o que posso e o que não

Minha crença te conto de cór
Não preciso que ninguém me ensine
que amor é o deus que não cabe na religião

Credo!
Sai pra lá com essa doutrinação
Credo!
Eu não quero o medo me dando sermão
Credo!
Falta “Sim” nessa tua oração
Credo! credo!

A mentira eu conheço tão bem
não preciso que ninguém me aponte
um castigo que serve
só para vender o perdão

Mas confesso qual é meu temor:
Essa “luz” que ofusca limites,
Essa gente que olha pro céu
e tropeça no chão


Douglas Germano®

O que se cala


Douglas Germano  Nov | 17


Mil nações moldaram minha cara
Minha voz, uso para dizer o que se cala
Ser feliz no vão, no triz é força que me embala
O meu país é meu lugar de fala!

Pra que separar?
Pra que desunir?
Por que só gritar?
Por que nunca ouvir?
Pra que enganar?
Pra que reprimir?
Por que humilhar?
E tanto mentir?
Pra que negar
que o ódio é que te abala?

O Meu país é meu lugar de fala!

Pra que explorar?
Pra que agredir?
Por que obrigar?
Por que coagir?
Pra que abusar?
Pra que iludir?
E violentar?
Pra nos oprimir?
Pra que sujar
o chão da própria sala?

Nosso País, nosso lugar de fala



Douglas Germano®

31 de janeiro de 2018

Tapa no tempo

Douglas Germano® | 29.01.18


Sou da batucada
eu sou da baqueta,
do ferro, do couro,
eu sou da madeira,
da casca, do forro,
sustento o chão
que você vai pisar

Eu sou do batuque,
sou tapa na cara
da pele e do tempo,
eu sou o pedal,
o swingue, o acento
no assento de Àyan
que me guia a tocar

También, soy latino
da cúmbia, candombe,
do son e do tango,
da santeria, da salsa
do mambo, da rumba,
da cáscara pra usted bailar

No 2, no 5, no 7, no 13 e 18
não ligo, pois só até 8
quem dança costuma contar

Sou rei vagabundo
e na foto de capa
eu estou sempre no fundo,
mas é minha mão
que segura esse mundo
que a música faz
pra vida melhorar

Dedicado ao parceiro Júlio César e, através dele, a todos os batuqueiros destas paragens. E como tem batuqueiro bom!

6 de janeiro de 2018

Meia Volta

Disco de estreia do compositor e violonista Miguel Rabello com a cantora Luísa Lacerda dá uma volta vigorosa no discurso que acusa de morte o que não pode alcançar.


A busca da síntese é uma compulsão diária para qualquer compositor. A boa síntese, a perfeita, a abrangente, a que diz tudo contando muito pouco, mendigando sílabas da melodia. Existem verdadeiros tratados sobre o tema, e em sua grande maioria, analisam a música popular sob o viés da letra. “Se fizer bom tempo amanhã, eu vou / Mas se, por exemplo, chover, não vou...” Caymmi um exemplo máximo desta habilidade.

A letra, na canção popular, sempre moldou completamente a personalidade da canção. Existem as exceções, óbvio, como os choros que foram letrados muito tempo depois e outras músicas que partem de um princípio diferente, nobre e raro: O Discurso musical.

Qual é a síntese do discurso musical? Existiria uma? O discurso musical não busca fecho, busca saída, caminhos. Invariavelmente e com naturalidade rompe o formato A/B, as fórmulas binárias e tonais. Caminha só, movendo um balaio de sensações que letra nenhuma irá alcançar. Eis aí Miguel Rabello mostrando as unhas.

As letras que correram atrás de sua música são assinadas por Paulo César Pinheiro, Roberto Didio e André Lacerda. Fizeram o trabalho direito, claro, mas a cada verso o ouvinte poderá notar que Miguel deu a ordem: Quem manda sou eu e meu violão!

22 anos recém completados, violão maduro de personalidade, canta bonito também. Ouvir as canções de Miguel é dirigir por estrada desconhecida, sem sinalização e com uma surpresa extasiante a cada curva. A alegria de novas paisagens enterrando a obviedade e os argumentos sobre a morte da canção.

Meia volta, primeiro disco de Miguel Rabello, é também o primeiro de sua paceira, Luísa Lacerda, a voz na maioria das canções. E é neste cenário de melodias sinuosas com arranjos sutis e sensíveis de Cristovão Bastos que Luísa faz sua estreia. 26 anos. Precisa, natural. Nos canta sem rodeios todos os caminhos traçado a unha pelo autor.

Há participações de peso em “Meia Volta”: Flora Milito e suas intervenções de extremo bom gosto, o piano de Cristovão Bastos pai de Miguel, o violão de João Camarero, o cavaquinho de Ana Rabello e a voz de Amélia Rabello em “Lição de Vida”. Tudo girando em redor do Violão de Miguel.

Meia Volta carrega a mancheias a juventude que os velhos preservam, a consistência que os jovens esquecem e a música que abre picada para novos horizontes.
Miguel, além de ter com o padrinho de batismo, Paulo César Pinheiro, uma obra que ultrapassa 50 canções, também prepara, em parceria com o excepcional letrista Roberto Didio, um show com canções inéditas intitulado Suíte Brasil e que já teve uma prévia em outubro último em São Paulo e em Campinas.

O disco, que foi possível através de financiamento coletivo, saiu pelo Selo da gravadora Acarí Records e está disponível para venda na Casa do Choro e no site da Acarí Records

Você pode conhecer Miguel Rabello e Luísa Lacerda em seus respectivos canais de YouTube:



Evoé! Jovens à vista! 

23 de agosto de 2016

Chegou o Golpe!!!

    
Golpe de Vista é se defender com as armas que se tem à mão.
É fração de segundo.
Depende de posicionamento e visão do lance.
Eu, meu violão, meu cavaquinho e minha caixa de fósforos.
Como em um filme, em um livro, em uma peça de teatro, as
canções começam e terminam. Sem estribilhos e repetições.
Ver, ler, ouvir novamente fica sob responsabilidade do ouvinte.
Conto com as participações especiais de Pedro Moreira no
trombone em Maria de Vila Matilde e João Poleto, mano velho,
que desenhou sozinho suas intervenções de sax e flauta.
Um coro de cantoras líricas reforçam as tensões.
É um disco de autor. Neste Golpe de Vista as canções são
apresentadas como as compus e toco.
À maneira mais crua. Boa audição.
 


compre em:
guiacruzada@gmail.com 

Download em:

16 de agosto de 2016

Priapismo

Ah esse presente perpétuo

A foto com a filha
confunde a família
parecem demais
A roupa de uma
no corpo da outra
cabelos iguais
Respondem ao "psiu"
no mesmo momento
tomando um detox
no meio da praça de alimentação

Ah, esse presente perpétuo

Na foto com o filho
tem o mesmo brilho
parecem demais
e a sobrancelha
tanto os assemelha
cabelos pra trás
Fazem "psiu"
no mesmo momento
olhando duas gatas
no meio da praça de alimentação

... Esse presente perpétuo...

A fotografia é a mesma
de mais de 10 anos atrás
O pai com a filha
a mãe com o filho
no fim tanto faz
Não há trajetória,
pra quê a memória?
Se temos a glória
do meio da praça
pra exposição

... desse presente perpétuo