28 de julho de 2014

"A perda do espelho nos olhos do amigo aonde melhor conheci minha face"

A gente percebe o quanto é pequeno e impotente diante das coisas em muitas ocasiões. Uma delas é na morte. A ausência dos queridos fica maior quando percebemos que só podemos nos dar um alento sobre aquela ausência com as próprias atitudes do ausente. Lembrando do jeito, da voz, do riso, do traquejo e das situações que viveu em sua companhia.
Perdi um amigo. Um amigo que foi companheiro por muitos anos. O conheci em meados de 1986 e desta data até por volta de 1999 nos víamos e nos falávamos semanalmente. A minha casa por muito tempo foi um lugar de reunir a turma e esse querido amigo era dos primeiros a chegar.
Formou-se uma roda de amizades muito sólida. Sólida precisamente pelos afetos que se estabeleceram e que são para a vida toda.
A morte do Zalfredo foi como se arrebentasse uma das cordas que sustentam a lona de afetos que nos abriga. E sob esta lona ele era o palhaço, o trapezista, o equilibrista, atirador de facas, pipoqueiro e bilheteiro.
Toda a turma fica meio manca, em silêncio, com os pensamentos desorganizados.
Perdemos um amigo.
Dona Hortência perdeu o filho.

O mundo em volta só ganhou. Sim, porque o Zalfredo era só entrega. Era só pro outro. Era calçamento, ponte, guia, corrimão. Tanto que não leva nada, deixa tudo e esse tudo é imenso, simples e sincero como é natural dos grandes e que só eles podem alcançar.

José Alfredo Gonçalves Miranda