25 de janeiro de 2013

São Paulo 459



















São Paulo de todos os amores...
São Paulo de todas as cores...
São Paulo megalópole onde tudo acontece...
São Paulo do uhú, do tipo assim... do meu, não acredito!

Não. Não tenho o menor apreço por estas frases que proliferam em todos os jornais, rádios e tvs em todo janeiro. Estas frases não significam nada.

Cidade. Existem definições para cidade. Organização territorial em área urbanizada onde se localiza ou se centraliza a rede de serviços, de administração, o sistema educacional, cultural, religioso, centros de consumo etc. Nenhuma trata do elemento gerador das cidades e que, portanto, é anterior a elas: Gente.

São Paulo é a cidade onde nasci. Onde vivi 43 dos meus 44 anos.
A cidade que causa deslumbres de consumo aos que se mudam para cá oriundos de outros estados e cidades, é a cidade habitada pelas pessoas mais reacionárias, alienadas, conservadoras e preconceituosas do Brasil. É a única cidade onde manifestação como esta, por exemplo (Homenagem ao golpe de 64), é capaz de acontecer.

A chamada e aclamada "São Paulo onde tudo acontece", se restringe a um gueto dentro da verdadeira cidade. Um triângulo que parte da Praça da República  atravessa Sta. Cecília, Higienópolis, Pacaembú, Pompéia até o Alto da lapa. De lá, abrangendo Vila Madalena, Pinheiros, Jardins, Itaim Bibi até Moema. De Moema, Vila Mariana, Paraíso, Aclimação até chegar à República novamente.

Todo o resto com maior território e densidade populacional, não interessa. Não existe.

Esse gueto é a cidade de São Paulo que existe, que importa, que dita moda, que é a locomotiva do país, onde fica a imprensa oficial e tendenciosa do país, onde todos querem estar, comer, dançar, consumir. Onde se "ama tudo isso", onde há intervenções artística, teatros, shows, restaurantes... 
Cidade de gesso. De fachada. Consumista, materialista, profissionalíssima, individualista, desumana e que vive sob a regra e a tutela do prestígio, do status adquirido por algo que se pode comprar.
Reduto eleitoral do psdb, quase elegeu russomano prefeito e tem jô soares, arnaldo jabor e paulo coelho como seus mentores intelectuais. Como reserva moral, FHC 

Parabéns? Parabéns pra quem?
Por minha parte, parabéns para quem não é paulistano.

2 comentários:

Everaldo Efe Silva disse...

Aqui são bons os lugares cuja gente e cultura são desprezadas pela babaquice predominante do entre rios. Brigadão pelo texto. Saudade, Olivério. Bração.

Mariana disse...

Boa!