1 de dezembro de 2011

UNA BANANA PER TE, DOMENICO!!!









Não sei vocês,
mas eu tenho sempre
a impressão de que ele ri de mim


Seis em cada dez brasileiros trabalham mais de nove horas por dia
Por Adriana Fonseca | Valor

"SÃO PAULO - Difícil encontrar um brasileiro que trabalhe apenas oito horas por dia. Essa é a conclusão que se pode tirar de uma pesquisa realizada pela Regus. De acordo com o levantamento, feito com 12 mil pessoas em 85 países, sendo 500 no Brasil, 43% dos profissionais brasileiros dedicam entre nove e onze horas diárias ao trabalho e 17%, mais de onze. Os números estão acima da média global, já que, no mundo, 38% das pessoas dizem trabalhar cerca de 10 horas por dia e apenas 10% dedicam mais de 11 horas diárias ao escritório. “De uma maneira geral, a pressão por resultados impulsiona esse aumento na quantidade de horas trabalhadas no Brasil”, afirma Guilherme Ribeiro, diretor geral da Regus no país.  
Além das longas jornadas, o estudo comprovou que os profissionais também levam trabalho para casa com frequência. No Brasil, 46% fazem isso pelo menos três vezes na semana,..."

Pra quem não sabe ou esqueceu, o simpático tiozinho aí é Domenico de Masi. Cientista social italiano que andou ganhando MUITO dinheiro pelo mundo todo falando do "Ócio Criativo". Uma alegação de que a tecnologia diminuiria cada vez mais o tempo de trabalho e que as pessoas a partir disto, teríam mais tempo para coisas mais importantes, prazerosas e saudáveis.

Houve um período recente em que só se falava do tiozinho aí. Existe na internet um programa Roda Viva com ele.
Eu assitia aquilo com uma sobrancelha levantada. Tudo era muito bacana, mas tão longe da minha realidade e da realidade de tantos trabalhadores. Ví nego comprar laptop pra trabalhar em casa etc. Só pressão. Hoje, o caboclo usa o laptop para estender o horário de trabalho em casa.


Detalhe: A pesquisa aí não considera o tempo gasto em transporte. Isso aumentaria em muito os números da dita cuja.

Ao mesmo tempo, o consultor já indica que seria cobrado de quem não vai ao escritório uma produção maior já que este não perderia tempo preso em congestionamentos para ir até lá. Só rindo.

Outro fato que o mundo maravilhoso do De Masi parece desconsiderar é o prazer que sentem empresários, chefes, gerentes e aspones de toda ordem com o "exercício de poder". O que será a vida destas pessoas se não tivessem diante de sí, anclausurados em baias terriveis, seus subalternos? Como levarão a vida sem poder dizer para estes subordinados como levar a vida? Como vestir, como portar-se? O que fazer e o que não fazer para o bem da empresa e "conseqüentemente" de suas famílias? "Pois é dali que tiram seus sustentos, pagam escolas dos filhos..."
Como viveriam sem exercitar o terror?
Imaginem as pessoas trabalhando em casa e utilizando ao extremo o que a tecnologia permite?
Os patrões detestam estas liberdades. Exceto pra si quando delegam de um hiate ou da piscina do hotel as atividades ao povo da baia.

Vaffanculo a tutti

2 comentários:

Carlos Pegurski disse...

Tem toda a razão. Existe uma dimensão simbólica de dominação, tão própria do capitalismo, que é subestimada na perspectiva do risonho. O capitalismo tem as suas tradições, os seus valores, liturgias. Ele muda, mas não se trai.

Everaldo Efe Silva disse...

Justamente, como viveriam sem praticar a gestão pelo terror? A produtividade decorrente do avanço tecnológico, em vez de liberar o cidadão para outras atividades - o descanso, inclusive – tende a transformar todo o tempo em tempo para a reprodução do capital. Faz parte dessa tendência tanto a restrição à vida corporativa de conceitos como ócio e criação, quanto os e-mails de trabalho que se multiplicam por madrugadas insones . As palavras de Masi, amainando o terror real, fazem parte da fauna retórica do capitalismo turbinado. Tudo para 'inglês' ver. Tudo para 'inglês' faturar.