14 de abril de 2010

SPN!

Noite de ontém, 22:10h banco do fundo do ônibus. Conversa ligeira e articulada entre André e Jô (josenilton), aproximadamente 18 e 19 anos, bonés na cabeça, celular tocando música, tênis da adidas com barro na lateral. No fim da jornada Trabalho/Estudo/Cama.

André:— Sabe com é que a gente chama essa matéria?
Jô: — Hã...
André:— SPN!
Jô: — O que que é?
André: — Serve pra nada!
Jô: — Putz, meu! Serve pra nada mesmo, mano, tá ligado! Num entendo pra que que serve Sociologia.

De orelha esticada fui acompanhando a conversa. Depois da sentença aí acima, amarraram um papo sobre cotas para negros:

Jô: — Se conseguiu bolsa ou...?
André: — Não, mano. Eu pago, vichi. Ah, Mano, eu não gosto desse negócio de bolsa não, mano. Outro dia tinha uma mina lá na secretaria brigando. A tiazinha da secretaria, branca tá ligado, acabou com ela, mano. A tia falou assim: “Se ta querendo bolsa só porque você é negra? Você não consegue estudar e tirar a nota, não? Você não tem competência pra isso?” Vichi, mano. A tiazinha acabou com ela, deu mó vergonha. Ah, mano. eu quero estudar, fazê os baguio certo. Eu num ligo, mano. Os cara: Ai neguim! Nem tô, mano. Não ligo não.

Jô: — É. Se qué sabê, mano, as mina gosta mais dos neguinho, tá ligado. Vichi, mano lá na escola só tem neguinho, mano. Os branquinho boy, nos pano, tudo fica sozinho, as mina nem liga. E os cara num estuda, mano. Outro dia o professor perguntou prum maninho, branquinho, folgado pá caramba, mano: “Quanto você paga pra estudar?” o maninho respondeu: “sei lá, meu pai que paga!”. O Professor mandou ele pra lousa pra fazer uma baba, uma equaçãozinha de primeiro grau, mano, dois palito pra fazer e o mano nada. Quinze minuto e o mano suando, ficando vermelho e nada. O Professor dizia: eu não tenho pressa, pode ficar tranquilo... Os maninho não estuda, paga pra ir lá senta e conhece as mina.

André: — É, mano, mas o professor também não pode fazer isso. Se o cara quiser ele fode o professor, mano.
Jô: — É pode crê...

E aí o papo passou por tribunal de justiça, jogo de baralho, sinuca, coríntcha, mano e tudo o mais.

Bem, independentemente do teor das conversas e do quanto elas podem ser polêmicas, o motivo deste post é um carinho para a professora da famigerada SPN, pois ela está fazendo seu trabalho direitinho.

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