15 de janeiro de 2010

Ação natural do tempo









Depois que a gente vira Pai tudo muda muito. Primeiro porque você descobre que nunca havia amado nada, segundo porque você não tem mais tempo para nada e terceiro, o Natal.
Não por causa do filho e seus brinquedos, mas por causa de ser Pai. Não sei por qual razão ou motivo você passa a ganhar meias e cuecas de presente de natal. As meias têm sua utilidade, as cuecas idem, desde que não seja uma meia esporte preta ou uma cueca de elanca cor vinho e geralmente são.
Neste natal superaram minhas expectativas absolutamente: Ganhei um pijama!
Eu fico tentando advinhar que tipo de coisa inspiro na imaginação de quem me dá um presente deste:
“— Huummmm, pro Douglas... huuum... que será... huuuuuummmmm... Já sei! Um pijama!!!”

Digo eu: como assim “já sei, um pijama!” ??? Será que eu não deixo transparecer nenhuma espécie de disposição para qualquer coisa?
O meu filho me peguntou se eu não ia vestir o pijama. Respondi que não. Convenhamos, a gente tem que manter alguma dignidade.
Conheci uma senhora que me disse que deveríamos sempre dormir arrumados, pois vai que acontece alguma coisa e a gente precisa sair correndo. Eu sempre pensei comigo que, numa situação qualquer de ter que sair correndo no meio da noite, seria muito pior se eu estivesse lá correndo e gritando usando o pijama completo. Só de cueca, inclusive, fica mais dramático e não deixa de ter uma apelo sensual.

Peço aos amigos presenteadores que tenham mais afeto por este presenteado. Um encordoamento de cavaquinho ou violão seria ótimo. Uma bola de capotão número 5. Um time de jogo de botão. Um livro do Camus (é fácil, fica na prateleira do lado dos de autoajuda, nos autodestrutivos), um filme bom pirata ou de pirata mesmo. Para quem pressupõe alguma nostalgia em mim, uma playboy da Ioná Magalhães. Sei lá pô; tem tanta coisa.

Eu, vou tirar uma foto com o pijama e a meia preta e enviar para o presenteador desejando um ótimo 2010.

2 comentários:

Ana Paula Saab disse...

Douglas, bota o pijama! Prerrogativa de pai e mãe, uai! Recentemente, recomendei à Bárbara que me trouxesse um par de brincos da praia. Imaginei algo rústico, com madeirinha, conchinha, enfim. Mas não é que me chegam duas argolas douradas!!!! Eu odeio coisas douradas!!! Não tardou, veio a mesma pergunta: "mãe, você não vai colocar os brincos?". Não pensei na dignidade, botei os brincos. Pensei: solto o cabelo e ninguém vai perceber. Eu olhei no espelho, não parecia eu. Quem me encontrou aquele dia achou que eu estava diferente. Minha mãe disse assim: “huuuuummmm, ela está de dourado hoje!!”. Foi o fim. As horas não passaram aquele dia, mas no final das contas, a Preta ficou feliz. Fazer o que, né? Abração em vc e na família :)

Douglas Germano disse...

Pois é, Paula. Você tem razão.
Mas eu ainda acho que ganhar uma argola dourada, mesmo que cafona, ainda demostra uma tentativa de acarinhar tua vaidade, enfeita-la. Ora iê-iê-o. Com uma argola você se enfeita e sai. Com um pijama, deita e dorme. rsrs. bj