1 de agosto de 2009

Nenê de Vila Matilde - 2010

Pela primeira vez e com o estímulo fundamental do grande parceiro e amigo Everaldo Efe Silva, criei coragem para colocar um Samba na Vila Matilde. Em parceria com o ÉfeSilva e o Júnior Pita. Para nós três, romanticos que se comovem com a porta-bandeira, com o ambiente da quadra, com a batucada e, acima de tudo que têm noção da responsabilidade e do significado desta escola de samba, é uma glória sem limite estar por alí. É como a comemoração do gol da virada aos 47 dos segundo tempo, e para mim, particularmente, me lembrando de tudo o que vi naquela quadra da Júlio Rinaldi, nº1, uma oportunidade de agradecer e devolver mínimamente, mas muito mínimamente, todas as transformações que esta escola provocou em minha cabeça e que sem as quais, eu não teria sequer comprado meu primeiro cavaquinho.Salve a Nenê de Vila Matilde, Seu Nenê e seus bambas.
O Samba está aqui abaixo. Se chama Correnteza, trata da água e propositalmente, sem refrão no meio. É água e corre só parando diante dos orixás das águas, Oxalá, Yemanja e Oxum.


G.R.C.E.S. NENÊ DE VILA MATILDE - Carnaval 2010
“Água Nossa de Cada Dia! A Pureza da Águia é a Essência de Nossas Vidas”

Correnteza
(Autores: Douglas Germano / Everaldo Efe Silva / Junior Pita)

A minha Vila é correnteza
Beleza que não cessa
E vem desaguar seu carnaval
Em samba, em força, é água!

da Terra, o sangue, a essência
Nascente, seiva, sumo da existência
do chão pro ar, no frio polar
Olha o temporal
Céu fechou, vem temporal
Chuva forte, tão vital
Alimento natural
Renovando essa grandeza
Toda fauna, toda flora em esplendor
É saúde, corpo são pro meu amor
Esse banho que refaz a esperança
E a Vila avança

Mas o homem sempre cede
a sua sede de ambição
Consome e descarta
Polui e maltrata
Destrói o futuro
Cadê a razão?
O desperdício desse bem
A vida matará
Calor, degelo e quem
Do mar se salvará?
Mas a Nenê, imortal guardiã
Desfila pro mundo ter um amanhã

Trago as águas de Oxalá
Pra lavar o mal,
Odoyá, o doce Iemanjá
Oxum, oraie-iê o
Verteu a lágrima de quem chorou de saudade da Nenê

6 comentários:

Selito SD disse...

Salve salve Douglas germano!

Seguinte: Adianto, desde já, que para o meu gosto (que sei não pesa nada na questão, não conta) este samba é favorito.

É uma obra belíssima por sua letra que exprime com maestria o tema que traz interessante trocadilho com a águia e a água, elemento sobre o qual discorre; e por sua melodia de belo desenho, cadenciada e sem as manjadíssimas convenções (trinta linhas, dois refrões, etc. além da aceleração) que fazem com que os sambas fiquem todos parecidos, pasteurizados... um monte de "m".

Valeu, guerreiro!

Abraço e... saudações sambísticas!

Douglas Germano disse...

Grande Selito!
Muito obrigado por seus comentários. Um elogio que venha de quem sabe do samba é sempre uma felicidade. Foi a maneira como eu, Everaldo e Júnior encontramos para contribuir minimamente para nossa escola. Essa grande família azul e branca da Z. Leste. Abração Selito!

Kleber Saraiva disse...

Muito bom !! gostei do blog !!!

Dá uma olhada no meu depois, tenho um blog sobre historia da música !! :D
Abraçaoo

http://rootsgate.blogspot.com/

GILMAR disse...

VALEU CUCA/EVERALDO E JR...BOA SORTE NESTA BATALHA MARAVILHOSA... QUE O A LINHA D'AGUA ESTEJA COM VOCES...ACONTEÇA O QUE ACONTECER... LEMBRE-SE SAMBA-ENREDO SO GANHA UM... ABRAÇOS....

Tadeu dos Santos disse...

Parabéns aos idealizadores e autores desta letra, tema , samba-de-enredo feito especialmente, como li na matéria acima, em homenagem à Nenê de Vila Matilde; percebe-se que foi colocado ali todo o amor, respeito e sentimento numa fluência e concordância magnífica . . Parabéns mesmo . . Muito bonito o trabalho de vocês.
Um Abraço cordial, Tadeu Santos.

Douglas Germano disse...

Oi Tadeu!
Muito obrigado por seu comentário.
Um abraço meu, do Everaldo e do Júnior.