15 de fevereiro de 2008

Vapt-Vupt – Ziriguidum 2008

Na frente da fila de cuícas, modelito, destes que aparecem à frente da bateria na última hora com corpinho “sensacíonal”, mls de silicone e fio dental protocolar, dava entrevista a dois ou três repórteres:

— Eu vou dar o que tenho de melhor para a comunidade da Pompéia!

Lauro, do meu lado esquerdo, jogando água no gorgurão, piscou e disse:

—Pra cima deles que é tudo nosso!


Enquanto a bateria caminhava pelas escuras, isoladas e frias ruas do interior do anhembí (ali, não existe carnaval), um senhorzinho com a camisa do corinthians cruza a rua à frente da bateria. Olhando o pelotão fantasiado de sasquat exclama:

— Tá tão bonito que não dá nem pra por defeito!

Recebeu um rufo de bateria.


Parados no portão da concentração, assistíamos o finalzinho da Vila Maria entrar na pista. Bonita, alta, animada. Prometia.
Uma voz saltou na ala das cuícas (sempre os cuiqueiros):

— Deixa eles ir do jeito que quiser. Enquanto tiver bambú, tem flecha!!


Guilherme, arriscando umas viradas de tamborim no meio da sala, para delírio de qualquer tímpano, assistia comigo a entrada da São Clemente.
Apareceu uma cabrocha, sambou. A câmera subiu, desceu, virou etc. Rapidamente, um corte para um detalhe da comissão de frente e outra cabrocha com câmera subindo, descendo e girando. Guilherme, interrompendo as viradas de tamborim lascou:

— Pai, precisa tirar a roupa pra sambar?

Minha resposta? Engatei um trenzinho e ataquei o Mamãe eu quero, da a chupeta que o “nenê vai nanar...” Mã mã mã mã mã mamãe eu quero...


Claudecir tem modos delicados e arrumou um esplendor de faisão para sair de destaque de chão. Chamou a fantasia de “Priscila rainha da passarela”. Foi para o desfile com Tadeu, tocador de tarol e marido de sua amiga Abigail. Na saída, Abigail recomendou:

— Cuida dele, hein Clau!

E Claudecir respondeu prontamente:

— Fica tranqüila, Abí. Marido de amiga minha, para mim, é homem!


A transmissão de carnaval pela tv (especialmente a do desfile paulista) só será perfeita quando:

1º Houver menu interativo com enredo, créditos, entrevistas e legenda do samba enredo. Como um dvd.
2º Não houver entrevistas em camarotes, esquinas não sei de que e repórteres se metendo no meio da alegoria ou no guindaste.
3º A função SAP estiver disponível. Esta eu acho fundamental.

A transmissão do desfile das campeãs (paulistas e cariocas) só será interessante quando:

Todas as opções anteriores forem repetidas.


Kiko Dinucci, em meio ao samba, suor e ouriço, perdeu uma presilha madre-pérola no trajeto da Banda do Redondo. Se você encontrar, escreva para o Partido-Alto. Temos mensageiros a postos para retirada instantânea no local que você indicar.
Kiko Dinucci agradece eternecido.


“Que som é esse? Que cadência diferente! Protegida pelos deuses, me responda, quem vem lá?”
Seu Nenê não desfilou. Infelizmente, não é a primeira vez. Houve um ano em que ele também não desfilou por problemas de saúde e no ano seguinte a este, saiu sentado em um carro. Em trono de rei, de terno azul coordenando a harmonia lá de cima. (Foto)
Torço muito para que ele se recupere logo. Não consigo imaginar a Vila sem a figura de Seu Nenê. Com seu chapéu, pernas arcadas, caminhando pela quadra, de olho na bateria, seu declarado xodó. Força Cacique!

Everaldo ÉfeSilva, o Zéphir, o destemido Falcão dos rachas da rua de cima contra a rua de baixo na Vila Sônia, saiu na Vila pelo quarto ano consecutivo. Só que Agora, no lugar que lhe é devido. Clique na foto.
Caneta fina, alquimista do tom menor, autor de sambas irretocáveis e contemporâneos, exibiu seu “ipisilone” passo que ele mesmo criou a partir de experiências etílicas e coreográficas, na Ala de Compositores da Nenê de Vila Matilde.
Se cuida Marco Antônio que Aruanda chegou!


Não deveria existir esse negócio de grupos, sobe, cai. Deveria haver um grande cortejo de quatro dias. Todo mundo desfila, se diverte, batuca e tudo bem. Não deveria sobrar tristeza pra sambista nenhum. Já basta a quarta-feira de cinzas.

Um comentário:

Everaldo disse...

Porra, Borguéti!

Devo muito do meu sorriso na foto a sua amizade.
Seu texto é daqueles que expressa sentimento de pertencimento. Se não é possível estarmos em vários lugares ao mesmo tempo, esse sentimento faz com que a gente fique alegre com a alegria dos nossos.

grande abraço,
Mendonça