29 de maio de 2007

HABEMUS PAJÉ - 04/04/2005

Habemus Pajé
Eu tenho uma foto aqui. Estou no colo da minha mãe que está ladeada por meu pai e meus padrinhos Afonsina e Vitório. Na foto, eu estou com a moleira na pia batismal, prova incontestável do meu catolicismo. Confesso que acompanhei a mudança de papa com atenção. Já havia acompanhado a troca anterior quando o papa durou 33 dias e assumiu o João Paulo. Lembro bem da história da fumaça. Apareceram várias sessões de fumaça preta e tal. Isso em 78. Agora, pude confirmar os motivos de meu afastamento progressivo desde a foto da pia batismal.
Alguém notou a pompa, os mistérios, os veludos e o dourado da cerimônia? Diante dos segredos, portas da morte, salas de lágrimas, corredores sei lá de quê e as portas fechadas do conclave (com chave) não pude conter minha curiosidade e nem as associações com a simplicidade do Cristo.
Minha fé existe, mas não graças a qualquer padre, bispo, cardeal ou papa. Única e exclusivamente por minha causa, minha fé nunca se sentiu representada, minha fé não tem apenas um caminho, verdade e tal. Minha fé acredita no outro, no ser humano, em toda transformação que traga algum bem para as nossas vidas. Minha fé gosta de Oxalá, de Cristo, de São Francisco, de Iemanjá e, em um terreno mais próximo, de Bach, Mozart, Cartola, Saramago, Bandeira, Drumonnd, Manuel de Barros, Milton Santos e muitos outros que a alimentam. O novo papa, queimaria alguns dos pensamentos destas figuras, pois era líder da Congregação da Doutrina da Fé (será que vem daí o CDF?), ex-Santa Inquisição. Apesar disto elegeu os jovens como alvo. Eu realmente estranharia se ele elegesse as pessoas de meia ou terceira idade, pois agora, toda a indústria, o mercado, o consumo, têm os jovens como alvo de catequese, a igreja não poderia ficar fora desta.
Minha fé não precisa de veludo e me avisou sobre o dia da escolha do Bento: 19 de Abril dia do Índio.
Estes, na contramão de toda pompa, vêem seus filhos morrerem com a desnutrição, suas terras diminuindo, seus rios com mercúrio e padecem com doenças que o Pajé não consegue curar.
Mas nessa vida de cinismos incuráveis minha fé vira as costas para a praça de São Pedro e fecha com o Pajé. Com chave!

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