29 de maio de 2007

ENCONTREI UM BOTÃO - 30/03/2005



O Jogo de botão deveria fazer parte das atividades curriculares de educação física e esportiva do ensino fundamental e médio.O Futebol ganhou ares de guerra entre jogadores, torcedores e a imprensa que alimenta e estimula os “confrontos”, as “batalhas”. No jogo de botão é diferente, veja:
A falta, por exemplo, é severamente evitada, primeiro porque não têm importância na decisão do jogo e segundo e mais importante, porque pode lascar o botão, o que ninguém deseja. Isso iria em pouco tempo, reeducar a molecada para o futebol, pois hoje até em rachão de rua, a molecada divide na medalha e dá chute pro mato em qualquer circunstância. Sem falar da noção espacial e de esquemas táticos onde o 4 3 3 é imbatível. O jogo de botão acontece na maior tranqüilidade e conta para isso, com a generosidade dos participantes e assistentes. Tudo muito organizado, cada um joga de uma vez, passam a vez em jogadas duvidosas e avisam sempre o goleiro adversário quando vão chutar para gol, o que torna cada tento ainda mais legítimo. Das torcidas são aproveitados os cantos, hinos, aplausos e tal.
Os praticantes narram os jogos com precisão de locutor de rádio com vinhetas, repórter de campo e tudo mais.
Além do aspecto lúdico, o jogo recupera a memória esportiva do país com escalações de verdadeiros esquadrões de craques e times invejáveis criados com várias gerações de jogadores, por exemplo: Roberto Dias na zaga e Zé Sergio na ponta ou Oberdan no gol e Evair no ataque. O Jogo é capaz de encaminhar para um futuro promissor seus praticantes. Veja o Caso de Everaldo. Garoto conhecido como Falcão, além de participar dos campeonatos de botão entre a sua rua e a rua de baixo na Vila Sonia, participava também das mesas de negociação, onde os jogadores eram trocados, comprados e vendidos de um time para outro por toda a molecada. Hoje Falcão virou homem de negócios financeiros e, aliás, é uma grande falha da diretoria do Palmeiras não aproveita-lo nas finanças do departamento de futebol do Palestra.
Bom, tudo isso pra dizer que ontem (28/03/2005) pela primeira vez, encontrei um botão.
Estava voltando da padaria, passei pela banca de jornal e lá estava ele comprando figurinha para o filho. Minha reação foi instantânea e impensada:

– É a primeira vez que encontro um botão!
– Como? Disse ele
– É, você é o quarto zagueiro do meu time de botão!
– Ah é! Pois você sabe que eu jogo com meu filho. Aprendi isso aqui. Comprei alguns times e mandei para sobrinhos que teño no Uruguai. Mas eles não souberam jogar e deixaram de lado. Isso só tem aqui. É coisa de brasileiro!
– É a gente gosta! – disse eu.
Pegou suas figurinhas e de saída disse:
– Tchau! Obrigado pela escalação hein!
Mais uma vez de forma impensada respondi:
– Tchau, Dario e se cuida que você vai jogar domingo!

Dario Pereira formou a melhor zaga que eu vi jogar no São Paulo (Oscar e Dario).

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