29 de maio de 2007

AINDA SOMOS MUITOS - 08/12/2005

São inúmeras as situações, as reclamações, os abusos. Também são grandes as frustrações, os desentendimentos e desapontamentos, choques, conversas absurdas, argumentos sórdidos. Todos nós, sem nenhuma exceção, vamos relevando. Os lúcidos, com o argumento de que há um novo modo de vida, empobrecido moral, ético, intelectualmente, mas que está a serviço da sobrevivência individual e portanto legítimo de alguma maneira. Os alienados simplesmente dizem que é assim mesmo e com o termômetro do medo passando dos 40º, até julgam correta as pressões que sofrem. Os que detém poder financeiro, para não precisar estar em nenhum dos grupos, posto que cultura hoje não significa nada e humildade é coisa de fraco, seguem indiferentes se alimentando deste estado de coisas.
Não há nada possível? Não há meio de transformar isto? Não há em nossas vidas algo que possa alimentar um punhado de força para uma atitude drástica e inesperada?
O pessoal do terceiro grupo que citei sabe bem o que está acontecendo e começa a subverter possíveis rebeldias em atos românticos e subliminarmente associados ao consumo. Veja a propaganda da coca-cola. Notem que é uma "propaganda":
Uma voz em off pede aplausos àquele que sai do trabalho antes da hora e sem avisar o chefe, para aquele que "não fica diante de um quadro" tentando entender do que se trata, para aquele que abandona a vida urbana e suas conseqüências e abre um "bar na praia", enfim para aquele revolucionário que será sempre de araque sobre a chancela da coca-cola.
"As mesmas palavras, os mesmos problemas, a mesma dor em todo lugar".
Será que não conseguiremos mais nada! Será que o resto de nossas vidas será consumidos em conversar de butiquim onde exercitaremos nossa ironia sobre as ações destes que nos achacam.
Notem que há muitos exercitando a ironia em butiquim, que o Hommer do Bonner foi pauta por estes dias, assim como o Edir Macedo, a Telefonica, o Bradesco ou o ABN, o Lula, o Gilberto Gil, o pênalti não dado contra o corinthians, o sucesso de Lair Ribeiro, a morte dos mendigos na Sé, o preço do transporte público, o tempo no INSS, a morte na fila do hospital, a polícia, todas as centrais de telemarketing, as camisinhas do Bento XVI, as instituições sociais, a TV, as propagandas de crédito a 150% ao ano, enfim, as violências que sofremos todos. Todos!
Ainda somos muitos. Muitos
Pensar saídas e estratégias anti-burocráticas, o que significa apagar o politicamente correto da postura, para conseguir passar adiante o estímulo a algum olhar ou ação crítica é uma obrigação.
Esqueçam a culpa! E esse negócio de que todos têm o direito a isso ou aquilo. Quando a ação de um arrebenta a cabeça de muitos esse direito tem que ser questionado. Principalmente quando estas ações partem de um setor organizado, com estratégias para tal. Ações que utilizam brechas em leis, lobistas, muitos advogados, muito dinheiro e o suor e esforço de muitos ingênuos.
Mário de Andrade, quando colocou Macunaíma contando sua saga a um papagaio já nos deu o tapa na cara. Parece que gostamos e pedimos outro e outro, mais um, mais, outro, outro...
Não faço a menor idéia, não sei por onde começar, não tenho receita e sofro dia-a-dia o mesmo mal. Esta esculhambação que nos entregou nossa "esperança esquerda", enfraqueceu e enfraquecerá mais ainda todos os ânimos, mas vamos tentar. Vamos tentar! Vamos tentar, porra!

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