29 de maio de 2007

3 DE DEZEMBRO - 03/12/2005

Antes que qualquer entusiasta venha me condenar, aviso que desta cabeça saiu a idéia de organização ou de reunião para a produção e registro da obra de talentosos compositores contemporâneos que se chamou Mutirão do Samba e que deu origem a todos os outros que vieram depois. Alguns bem depois. Cada um adaptou a idéia ao seu gosto, mas a original de estimular a criação, discuti-la, aprimorá-la, fazê-la expressão de nosso tempo e de nossas necessidades, ficou só no original. Outra que sou um sambista, um compositor e tenho maior interesse em ver o "Samba sair". Portanto não posso ter nada contra qualquer organização, aliás considero uma saída importante e que está sendo desperdiçada. Que nosso gênero ou cultura como querem alguns tem alegria, é popular, cativante, ritmado já sabemos e concordamos, porém penso que devemos utilizar toda esta estrutura fantástica para estimular alguma reflexão, instigar, falar de nosso tempo, de nossos problemas e anseios. Vejo gente fazer samba pra jaqueira que não sabe onde ela fica e nem tampouco gosta de jaca. O Samba com todo o poder de atingir facilmente a população, poderia ser um elemento de estímulo à visão crítica insuperável. Mas, ao invés disso, prefere falar das raízes do estácio ou da praça XI e perde cada vez mais espaço e se estigmatiza diante do Rap.
Candeia, Nei, Wilson, Adoniran, Vanzolini, Geraldo, fizeram isso com suas obras e além de acusar, apontar, ironizar qualquer situação adversa, sempre tinham a esperança presente em suas obras e davam uma volta em tudo com a malandragem da capoeira de angola. Hoje entregaram pro Rap que não tem nenhum dos dois, nem esperança, nem a malandragem da dissimulação o papel que o samba já teve.
É, e o povo continua preocupado com o nome dos projetos, com o " ir buscar lá atrás" , enfim com medo de se assumir artista, criador e da responsabilidade que significa estes títulos. É muito mais cômodo ser acompanhante e com austera precisão estar com o repertório de qualquer padrinho de plantão na ponta da língua. Aliás os padrinhos devem adorar, pois sabem bem quanto custa transportar na ponte aérea, uma banda com 6 ou 8 integrantes, a hospedagem, a alimentação etc. Hoje eles só vem com a roupa do corpo e um tamborim na mala de mão e se muito, só precisarão informar o tom.

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