29 de maio de 2007

2 DE DEZEMBRO - 02/12/2005

Embora exista uma quantidade enorme de "projetos" — esta classificação infeliz —, de Samba em São Paulo, pouco de fato acontece. Muitas rodas, sim!, muita gente batendo Samba, sim! E de resto? – Nada! Estas organizações estão sendo engolidas pela própria burocracia que criaram para que o Samba acontecesse — como se o Samba precisasse de alguma para tal —, um extremo cuidado para repetir e "criar" rituais, se é que isso é possível, espelhados em rituais intrínsecos a comportamentos de outro período histórico, o que é uma verdadeira violência contra a percepção e registro de seu próprio tempo-espaço. Indumentária, apelidos, tudo conforme já foi feito em algum momento e atestando que realmente nada do que foi criado por grandes autores, foi compreendido, pois não fosse assim, estas pessoas talentosas, inteligentes e cheias de energia estariam preocupadas em dar andamento ao que em algum momento foi proposto e não em ficar repetindo o que foi proposto em algum momento. Critério para julgar se o Samba é bom ou não — pois eles julgam —, é o de aproximação com alguma referência passada, pois naturalmente, não teriam outro em caso de necessário julgamento.
Mesmo com essa efervescência de "projetos" — esta classificação infeliz —, do Samba hoje, nada se leva a sério, principalmente como forma de arte e de expressão e já ouço novelas utilizarem o Samba para ilustrar sonoramente cenas cômicas e ingênuas. Isso pode parecer bobagem mas pega o inconsciente coletivo em cheio. Isso aliás já aconteceu com o Maxixe e com o choro cruelmente.
A minha geração está se especializando em ter saudade de algo que nunca presenciou, e principalmente em apagar minuciosamente, cada segundo de uma nova história que poderia ser criada. Uma geração sem história e que, por anos de ditadura, de desmonte da educação e consequentemente, da noção crítica sobre cultura popular e de cultura como aquela que é passada adiante, não enxerga o que está fazendo.
Não vejo razões para comemorar nada. Os bambas jogaram o bastão pra gente e em vez de seguirmos adiante, jogamos o bastão de volta pra eles e cristalizamos o gênero sem perceber. Isto tem reflexos sérios na crítica, na opinião pública, e vai criando guetos e becos sem saída. Quem quiser criar e utilizar o Samba como suporte pras suas idéias, terá que enfrentar mais um preconceito alimentado por tudo isto e que não existia antes: o de Gênero. Pois por mais que se goste do Samba e de seus maiores criadores, sempre haverá um olhar desatento e já cristalizado para quem deseja fazê-lo hoje, pois pressupõe-se que será algo já conhecido e esgotado, sem novidade e ponto de contato com nosso tempo.
Queimem seus chapéus panamá, seus bicolor e suas calças brancas, por favor!

Nenhum comentário: